OS TRONOS DE CRISTO REI

Celebramos, mais uma vez, a festa de Cristo Rei. Jesus triunfa sobre a morte, a lei, a carne, o pecado. Esta é a festa da centralidade de Jesus. A Ele o louvor, a honra, a glória, ação de graças, a adoração. Ele é o rei dos pecadores, dos pobres, dos últimos, dos pequenos, dos que procuram a  verdade. Muitos cristãos têm dificuldade de entender e aceitar a festa de Cristo Rei do Universo, porque os reis, os imperadores, os chefes de estado quase sempre foram grandes pecadores.

Jesus mesmo resolve o problema quando afirma: "Meu reino não é deste mundo. Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade.  Sim, eu sou rei’’ (cf Jo. 18,36-39). Sim, Jesus é rei pelo fato de ser Filho de Deus, de ser o Salvador do mundo, de ser o primeiro e o último, alfa e ômega, começo e o fim, Caminho, Verdade e Vida e de ter ressuscitado dos mortos. Seu reino é o reino da verdade.

Vamos, agora, refletir sobre os tronos de Cristo-Rei.

O cosmos. Tudo foi criado em Cristo. O Verbo se fez carne e assim inseriu-se no universo criado. Para executar seu plano de salvação, Deus dá o primeiro passo criando o céu e a terra. O cosmos é o primeiro trono de Cristo Rei, do "Cristo cósmico”, do "Evangelho de criação’’. O mundo não procede do caos, nem do acaso, mas de uma decisão de amor.

A manjedoura. Eis o outro trono de Cristo Rei. Os anjos, Maria e José, os pastores, os magos prostraram-se e adoram Jesus na manjedoura. Aos pequenos e pobres, é dado o reino dos céus. A manjedoura abalou o trono de Herodes. Jesus é “chave, o centro, o fim de toda a história humana" (G.S. 10). Ele não veio como militar, nem como imperador, mas, como criança.

A cruz.  Elevado na cruz, Jesus atraiu todos a si. Na cruz, Ele foi glorificado. Eis o trono da sabedoria de Deus, a "ciência da cruz”. O crucificado, o cordeiro que tira o pecado do mundo, é o rei do universo.

O sacrário. Aqui encontramos Jesus vivo, ressuscitado, operante. Vinde adoremos, prostremo-nos por terra. Céus e terra bendizei ao Senhor. No despojamento eucarístico e na prisão do tabernáculo está o ressuscitado, resplandecente de simplicidade e sublimidade. Ali está o Rei que fez um  grande banquete. A Eucaristia é um “mistério de luz, remédio de imortalidade, raio de glória, antecipação de núpcias eternas do cordeiro" (São João Paulo II).

O coração humano. Que Deus habita em nossos corações é uma verdade revelada. Santos e santas fizeram grandes experiências de encontro com Deus no íntimo da alma, no interior do coração. Somos templos da Santíssima Trindade. Nosso coração é um santuário, um sacrário, uma habitação, uma moradia, uma casa, um trono de Jesus Cristo, rei do céu e da terra.

O coração do pobre, do doente, do preso, do peregrino, do sedento, do nu. Nestes corações Jesus Cristo reina e promete que todos os que realizam obras de misericórdia em favor de todos estes irmãos e irmãs, tomarão posse do reino eterno. O reino de Deus tem como pilares a justiça, o direito,a vida, a verdade, a paz, o amor, a graça. Adorar Cristo Rei é, antes de tudo, servi-lo nos excluídos, empobrecidos, marginalizados.  Longe de nós o racismo, a tortura, a fome, a prostituição que denigrem a dignidade da pessoa, templo do Espírito Santo.

O universo, mundo, as nações, os povos são igualmente tronos do senhor da História, do salvador da humanidade. Encontramos nas culturas, nas religiões, nos povos as “sementes do verbo”. A reta consciência é voz de Deus que ensina a fazer o bem e evitar o mal, a amar a Deus e ao próximo.

Dom Orlando Brandes

Arcebispo de Aparecida

novembro, 2023