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Sabe-se, pelos padres da Igreja Oriental Epifânio e Gregório de Níssa, que citam em diversos estudos o Proto-Evangelho de Tiago (obra apócrifa), que Santa Ana era mãe de Maria de Nazaré, esposa de São Joaquim e avó de Jesus. Sant'Ana pertencia à família do sacerdote Aarão, e seu nome em hebraico significa graça. Seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi. Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Sant’Ana. E aí nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz", passado para o latim é Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos. A devoção aos pais de Maria é muito antiga no Oriente. Já no Ocidente, o culto de Sant’Ana remonta ao século VIII, quando, no ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, donde foram distribuídas para muitas igrejas do ocidente, estando a maior delas na igreja de Sant’Ana, em Düren,  Alemanha. Em 1378, o Papa Urbano IV oficializou seu culto. Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Sant’Ana em 26 de julho, e o Papa Leão XIII a estendeu para toda a Igreja, em 1879. Inicialmente São Joaquim era comemorado em outra data, mas o Papa Paulo VI o associou à Sant’Ana, definindo um único dia, 26 de julho.

Na cultura popular brasileira, associa-se Sant'Ana à figura da matrona branca dos engenhos, sentada na cadeira, guardando e transmitindo a religião. Os portugueses sempre divulgavam o nome de Sant’Ana pelas cidades que fundavam; daí a família de Frei Galvão tê-la como sua devoção especial. Ao se tornar franciscano, acrescentou ao seu nome o nome da Santa da família, passando a chamar-se Frei Antônio de Sant’Ana Galvão. Em São Paulo, no ano de 1770, ao se tornar membro da Academia Paulista de Letras, ele declamou, com sucesso, dezesseis Peças de sua autoria dedicadas a Sant’Ana. Em 31 de maio de 1782, estando ele com quase 20 anos de padre, muito se alegrou com a Carta do Papa Pio VI que decretava Sant’Ana Padroeira de São Paulo.

Em nossa Arquidiocese temos quatro Comunidades consagradas à Sant’Ana; no bairro do Soares no Potim (Paróquia Senhor Bom Jesus); a Matriz paroquial de Roseira; e em Guaratinguetá, as capelas dos bairros dos Pilões (Paróquia São Dimas) e Paiolinho (Paróquia Santo Expedito). São Joaquim e Sant’Ana, rogai por nós !

 Pe. Carlos Afonso Cavalcanti Rodrigues