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O Estado de São Paulo é o estado com a maior população carcerária no Brasil. Segundo  dados do Sisdepen (Sistema de Informação do Departamento Penitenciário Nacional) possui 231.287 detentos, distribuídos em 173 unidades prisionais, com um déficit de aproximadamente 90.000 vagas.

Destas unidades, três estão na Arquidiocese de Aparecida,  situadas no município de Potim, sendo elas: a Unidade I, com 1.888 internos; a Unidade II, com 1682, ambas com capacidade para 844 sentenciados, e a Ala de Progressão, que conta com 238 sentenciados e capacidade para 204.

Com a chegada do novo Coronavírus, todos nós passamos a adotar medidas de prevenção, como: lavar as mãos com frequência, usar máscara, evitar ambientes fechados e aglomerados e manter o distanciamento social,  até  mesmo dos familiares. Porém, estes hábitos podem ser realizados dentro das penitenciárias?

Lá a realidade é bem diferente. O ambiente superlotado impede que haja um efetivo distanciamento social. Algumas celas, que foram construídas para habitar doze pessoas, se encontram com trinta e oito, quarenta em alguns momentos. Os materiais de higiene são escassos, não há máscaras para todos, tampouco, a possibilidade de uma higienização especial nos locais habitados. O risco do contágio se estende, também, aos funcionários, que permanecem neste ambiente fechado, estando em contato com moradores de diversas cidades.

Em uma tentativa de evitar a entrada do vírus no ambiente prisional, as visitas dos familiares foram suspensas. Para quem está aqui fora, essa ausência de contato é suprida pela tecnologia, mas os sentenciados não podem ter esse acesso.  Essa medida de suspensão das visitas traz, também, alguns problemas, uma vez que os familiares levam alimentos, produtos de limpeza e de higiene aos sentenciados, além de serem os olhos da sociedade para o que acontece dentro do cárcere.

O potencial de infecção é grande e as unidades já contam com casos. Na unidade I, um sentenciado foi internado, se tratou na UTI e retornou com a alta médica. Além disso, quatro funcionários foram testados positivos para a Covid, e um veio a óbito. Na unidade II, um sentenciado contraiu a doença. Tendo recebido alta,  seguiu  para  prisão domiciliar. Na unidade II, há  seis  funcionários infectados.

A Pastoral Carcerária está impossibilitada de realizar as visitas nos pavilhões, porém, continua realizando visitas junto ao prédio administrativo e mantendo contato com os diretores e funcionários, buscando informações, e tentando, na medida do possível, instruir os familiares  que não têm notícias dos que estão no cárcere.

Um momento muito difícil que requer um cuidado e orações especiais aos irmãos que se encontram na vida  do  cárcere.

 

 

Pe. José Ferreira

Coord. da Pastoral Carcerária