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Tudo começou num barco frágil, com redes lançadas em águas mais profundas e três pescadores. Hoje somos 10 milhões de peregrinos. Aparecida é uma escola de evangelização: lançar as redes. Evangelizar é preciso.

 

A imagem de barro recorda que  somos barro, argila, pó, nas mãos do divino oleiro. Ele sabe de que tipo de barro  somos feitos. Aparecida é uma  lição de humildade. Carregamos em vasos de barro os mistérios da fé.

 

A imagem é pequena. Os pequenos  são os grandes no Reino de Deus. Os últimos  serão os primeiros. Os humildes serão elevados e os famintos serão saciados. O mandamento de Jesus é que nos tornemos como crianças.

 

A imagem é preta. Maria assume a fisionomia do povo a quem ela  aparece. No México ela tem o rosto mestiço; em Salete, o rosto camponês; no Brasil, o rosto dos negros escravos. Em Aparecida quebram-se as correntes da escravidão. Caem as correntes do pecado, do ódio, da doença, das tentações, dos vícios.

 

Disse São João Paulo II: “Em Aparecida pulsa o coração católico do Brasil”. Os  romeiros voltam  para suas dioceses, paróquias e famílias, com maior amor pela  Igreja e com desejo de se engajar na missão.

 

“Em Aparecida Deus deu a cada brasileiro sua própria mãe”, diz o Papa Francisco.  Assim, podemos  ser uma grande família de irmãos. Nós, brasileiros, a partir de Aparecida, temos a tarefa de construir uma sociedade fraterna, justa, solidária, porque temos Mãe e somos irmãos.

 

A piedade mariana é um precioso tesouro, uma força evangelizadora, um caminho para a santificação. “Se alguém quiser saber quem é Maria, vá aos teólogos. Se quiser saber como amar Maria, vá ao povo” (Papa Francisco). O Ano Mariano está produzindo frutos: jubilosas manifestações de fé, florescimento da esperança, revigoramento da caridade. “Deus benigníssimo, sapientíssimo, misericordiosíssimo, para  redimir o mundo, pensou em Maria”(LG 52). Sim, Maria é a pessoa humana mais perto de Deus e mais próxima de nós. Ela é a única que junto de Deus Pai pode dizer ao Filho de Deus: “Tu és meu Filho”.

 

Só nos resta dizer: “Quero ser como Maria”. Crer como  Maria. Rezar como Maria. Viver a Palavra como Maria. Visitar as casas, como Maria. Permanecer de pé diante da cruz, como Maria. Participar da glória eterna como Maria.

 

Dom Orlando Brandes

Arcebispo de Aparecida

 

Artigo para o “Jornal do Evangelizador”

Edição outubro/2017