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Tempos novos exigem caminhos novos. Tudo à nossa volta respira mudanças. Fala-se de uma mudança de época, mais que uma época de mudanças[1]. O ser humano vê-se rodeado por perguntas e possibilidades, por valores e necessidades, por medos e virtudes.

 

Na dinâmica vocacional, frente ao chamado de Deus e a necessária resposta humana, sempre existiu a tensão entre o infinito proposto por Deus e a finitude humana. Na Constituição Pastoral Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II lemos:

 

 Na verdade, os desequilíbrios de que sofre o mundo atual estão ligados com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem. Porque no íntimo do próprio homem muitos elementos se combatem. Enquanto, por uma parte, ele se experimenta, como criatura que é, multiplamente limitado, por outra sente-se ilimitado nos seus desejos, e chamado a uma vida superior. Atraído por muitas solicitações, vê-se obrigado a escolher entre elas e a renunciar a algumas. Mais ainda, fraco e pecador, faz muitas vezes aquilo que não quer e não realiza o que desejaria fazer[2]

 

 No processo vocacional ao presbiterato, esta tensão sempre existente ganha as características do seu tempo e contexto históricos. O sujeito em vocação não é, e não pode ser descontextualizado. Ele é fruto de um tempo e tem consigo as experiências de valores e carências que são próprios ao seu momento.

 

No Seminário Missionário Bom Jesus a proposta formativa tem Jesus como modelo, em fidelidade à Igreja. Olhando para Ele a formação visa uma contínua e cada vez mais profunda configuração ao seu jeito de ser e de viver.

 

Iniciado por uma inspiração do Bispo de São Paulo, D. Lino Deodato Rodrigues, no dia seis de agosto de mil oitocentos e noventa e quatro, hoje o Seminário tem como objetivo ajudar no discernimento da vocação dos jovens e formar presbíteros com um coração missionário para o serviço do povo de Deus da Arquidiocese de Aparecida e de toda a Igreja.

 

Os jovens que sentem-se chamados à vocação presbiteral constituem como que um “diamante bruto” que precisa ser lapidado com respeito, habilidade e paciência, num sério caminho de formação.

 

Neste caminho trabalha-se a integração das dimensões humana, espiritual, intelectual, comunitária e pastoral/missionária.

Ao seminarista pede-se que se deixe guiar para que cada vez mais seja configurado como um homem íntegro e maduro (dimensão humana). Que tenha Deus como seu centro e seu amor (dimensão espiritual). Seja capaz de comunicar os fundamentos da fé e dialogar com o mundo (dimensão intelectual). Que seja animador da vivência da comunhão que ele mesmo experimenta em sua vida (dimensão comunitária). E, por fim, seja capaz de guiar o povo de Deus como um pastor do rebanho (dimensão pastoral missionária).

 

O seminarista é chamado a sair de si mesmo, para caminhar, em Cristo, em direção ao Pai e aos outros, abraçando o chamado ao sacerdócio, e empenhando-se em colaborar com o Espírito Santo para realizar uma síntese interior, serena e criativa, entre força e fraqueza[3].

 

 Todo o processo é dividido em etapas formativas.

 

No primeiro momento o candidato é acompanhado pela pastoral vocacional do seminário e participa de encontros de discernimento e reflexão, continuando a habitar em sua casa e estando inserido em sua própria comunidade.

 

No segundo momento o candidato passa a etapa “propedêutica”, ou seja, uma preparação de caráter introdutório, com vista à sucessiva formação sacerdotal, ou, ao invés, da decisão de trilhar outro caminho de vida.

 

A etapa filosófica (ou do discipulado) caracteriza-se pela formação do discípulo de Jesus destinado a ser pastor, com uma especial atenção para com a dimensão humana, em harmonia com o crescimento espiritual, ajudando o seminarista a amadurecer a decisão definitiva de seguir o Senhor no sacerdócio ministerial. Essa etapa visa educar a pessoa à verdade do próprio ser.

 

A quarta etapa é a teológica (ou de configuração). Ela exige um mergulho profundo na contemplação da pessoa de Jesus Cristo. Tal configuração torna a relação com Cristo mais íntima e pessoal, e, ao mesmo tempo, favorece o conhecimento e a assunção da identidade sacerdotal.

 

A última etapa é a pastoral (ou de síntese vocacional) que corresponde ao período que medeia entre a estadia no Seminário e a sucessiva ordenação presbiteral, passando obviamente através da vivência do diaconato. Em nossa Arquidiocese o ano pastoral é vivido em duas etapas: uma experiência missionária fora da Arquidiocese e uma experiência administrativa paroquial em uma paróquia da Arquidiocese.

 

Atualmente nosso seminário conta com uma equipe formativa constituída por dois presbíteros: o reitor, Pe. Renan Rangel dos Santos Pereira, do clero diocesano e o diretor espiritual Pe. Gonzalo Montoya Loaiza, da Congregação da Missão.

 

Estão em processo formativo cinco jovens na etapa da pastoral vocacional, sete no ciclo filosófico, um no ciclo teológico e quatro na experiência pastoral. Neste mês de agosto nos alegramos com a ordenação diaconal de um formando do nosso seminário, o diácono Gustavo, que será, se Deus quiser, ordenado presbítero no próximo vinte e quatro de novembro.

 

Aproveito desse espaço para agradecer a todos os que amam, rezam e colaboram com o nosso Seminário. Deus lhes pague!

 

Convido os jovens: deixem-se inquietar por Deus! Não tenham medo da radicalidade da vivência do sacerdócio ministerial. Cristo conta com você!

 

Termino pedindo que, por favor, não se esqueçam de rezar pelos padres, pelos seminaristas e pelas vocações. Peçamos sempre ao Senhor a graça de numerosas e santas vocações.

 

                                                                                                                                                                                                          Pe. Renan Rangel dos Santos Pereira

                                                                                                                                                                                                           Reitor

 

[1] Cf. Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, V, Documento de Aparecida, 13.

[2] Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudim et spes sobre a Igreja no mundo contemporâneo, 10. Usaremos daqui para frente a sigla GS

[3] CONGREGAÇÃO PARA O CLERO, O dom da vocação presbiteral – ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis, 29.