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Saudação de agradecimento do Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida, na inauguração do Monumento à Nossa Senhora Aparecida, nos Jardins do Vaticano,
aos 3 de setembro de 2016.


- Santo  Padre, Papa Francisco;
- Eminentíssimos Cardeais: Giuseppe Bertello, Presidente do Governatorato do Estado do Vaticano, e João Brás de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;
- Excelentíssimo Arcebispo Dom Ilson Montanari, Secretário da Congregação para os Bispos;
- Excelentíssimo Dom Murilo Sebastião Krieger, Arcebispo de Salvador, Vice-Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e representante do Presidente da CNBB;
- Excelentíssimos Senhores Arcebispos e Bispos;
- Excelentíssimo Senhor Denis Fontes de Souza Pinto, Embaixador do Brasil Junto à Santa Sé;
- Demais Autoridades que nos honram com sua presença;
- Caríssimos Sacerdotes, Religiosos  e Religiosas;
- Senhoras e Senhores:

Sentimento de profunda gratidão é o que desejo expressar neste momento em que, encontrando-nos nestes esplêndidos jardins, contemplamos a beleza da escultura que, à nossa frente, nos transporta para o mundo da arte, sinal de Deus, porquanto a genuína e sublime capacidade de criar do artista é sempre expressão do ato do Divino Criador.
Minha gratidão se dirige primeiramente a Vossa Santidade,  Papa Francisco.  Agradeço-lhe por nos conceder o privilégio de alojar a imagem da Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, neste recanto privilegiado, no coração dos Jardins do Vaticano. Minha renovada gratidão, Santo Padre, também pelo seu inesquecível gesto de visitar a Senhora Aparecida, em seu Santuário no Brasil, em 24 de julho de 2013.
Estávamos, no Brasil, muito felizes por sua escolha para ser o Bispo de Roma, o novo Papa, e o fato de que a sua primeira viagem internacional tivesse nosso país por destino. Lá, se realizaria a XXVIII Jornada Mundial da Juventude. Antes do início do evento, Vossa Santidade quis dirigir-se à Casa da Senhora Aparecida. Sentimo-nos surpresos e particularmente tocados por aquele gesto de amor para com a Virgem Imaculada e o povo brasileiro. Visitar a casa de nossa  Padroeira, a mãe de cada brasileiro, era como visitar cada um de nós em nossos lares.
Aquele foi um gesto de denso significado a expressar a especial atenção que Vossa Santidade tem para com o Brasil. Nele, porém, não se esgotaram as suas manifestações de carinho para com nosso país, pois, agora, com a inauguração deste monumento dedicado a Nossa Senhora Aparecida, Vossa Santidade nos propicia a possibilidade de acrescentarmos mais um elo na forte corrente que  nos une ao sucessor de Pedro. Nossa ligação se estreita ainda mais porque nos permite fincar aqui um marco oriundo da Terra de Santa Cruz para tornar perene, na Cidade do Vaticano e em Roma, a memória da Virgem Aparecida e dos acontecimentos milagrosos que envolveram seu encontro, em 1717, nas águas do rio Paraíba do Sul.  Com inequívoco sentimento de gratidão, Santo Padre, desejo, nesta oportunidade,  mais uma vez, expressar-lhe, em nome do povo brasileiro, todo o amor que lhe devotamos.
São muitas as pessoas às quais me dirijo para agradecer a colaboração e o apoio  que nos tornaram possível alcançar este momento feliz.
Dirijo especial palavra de agradecimento ao Eminentíssimo Senhor Cardeal Giuseppe Bertello, Presidente do Governatorato do Estado do Vaticano.  Eminência,  receba nossa gratidão, cientes que somos do efetivo apoio que em tudo nos prestou, em especial por ter-nos concedido um lugar tão nobre para que nele fosse instalado  este monumento à Senhora Aparecida,  por meio do qual será ela para sempre lembrada por todos quantos, aqui, contemplarem a sua imagem.
Agradeço, igualmente, ao Excelentíssimo Senhor Denis Fontes de Souza Pinto, Embaixador do Brasil Junto à Sé, por seu empenho em todas as providências relativas ao processo para que este monumento fosse aqui instalado. A partir de agora, Excelência, esta obra de arte de um artista brasileiro passa a integrar o riquíssimo acervo artístico que se encontra no Vaticano e em Roma.
Manifesto também particular agradecimento a todos os que, de distintas maneiras, colaboraram para a concretização desta obra, a começar por aquelas pessoas que, generosamente, contribuíram com recursos financeiros para tornar possível o empreendimento, bem assim aos artistas, técnicos, operários e entidades que se encarregaram das diversas etapas de sua construção, em especial ao Reitor do Santuário Nacional, Pe. João Batista de Almeida; à Progetto Arte Poli,  encarregada de sua produção e à Lotus Implantação de Projetos.
Nesta oportunidade, não posso deixar de fazer uma menção especial ao Sr. Cláudio Pastro, que não pôde, infelizmente, comparecer a este ato. Responsável pela concepção artística da escultura, Cláudio Pastro é o maior representante vivo da Arte Sacra no Brasil. Seu nome está fortemente associado ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde inúmeras obras de sua autoria podem ser apreciadas. É ele o encarregado do projeto artístico daquele templo, que se encontra em fase de conclusão.  Cláudio Pastro é reconhecido pelo alto valor de suas criações artísticas e pelo trabalho realizado em diversos países. Seu nome, a partir de agora, passa a ser  lembrado também por esta belíssima escultura, que se manterá erguida nestes Jardins do Vaticano.
Contemplando este monumento, feito  em aço cortén,  com 3m de altura, por 3m de largura, vemos retratado o  encontro da imagem por 3 pescadores, em 1717, nas águas do rio Paraíba do Sul. Uma grande barca traz em silhuetas os pescadores enaltecendo o primeiro milagre, ou seja, o encontro da imagem e, em seguida, a pesca abundante. Também os peixes são em silhuetas com espaços vazados, entre um e outro, o que nos dá a impressão de uma grande rede de pesca. Ao alto e no centro, temos em bronze dourado, reluzente, a imagem fac-simile da original. Corresponde  “à mulher vestida de sol” (Ap.12)
Erigir monumentos a Maria, como o estamos fazendo aqui, é uma das mais belas maneiras de homenagear a bem-aventurada Mãe de Deus e de prestar-lhe culto.
A devoção a Maria, nós a  temos profundamente enraizada na Historia do Brasil, desde o seu descobrimento em 1500.  Esta devoção é uma marca indelével na nossa história na qual o culto à Mãe de Deus, invocada com o título de Aparecida, teve e tem, sem dúvida, grande influência.
O próximo ano – 2017 - aponta o tempo em que se completará o terceiro centenário do encontro da imagem da Imaculada Conceição por três humildes pescadores. Fatos emblemáticos como esse merecem grandes e solenes celebrações.  Entre tantas outras que já estamos promovendo, distinguimos esta como uma das mais significativas: assinalar o solo do Vaticano com esta escultura que reúne, em uma só e magnífica obra de arte, os principais elementos presentes no cenário do grande acontecimento com que a Providência Divina nos brindou, “oferecendo ao Brasil a sua própria Mãe”, para que ela nos abrigasse para sempre em seu coração, inteiramente consagrados a ela. Refiro-me às imagens presentes no monumento: da Virgem Imaculada, dos três pobres pescadores, da canoa, das ondas do rio, da rede e dos peixes pescados em profusão.
Olhando uma vez mais para a escultura, ocorrem-me também as palavras que Vossa Santidade, Papa Francisco, dirigiu ao Episcopado brasileiro, em 2013, quando visitou o Brasil, e que hoje soam quase como proféticas frente à situação complexa e delicada – mas também cheia de potencialidades – que o Brasil enfrenta atualmente. Ao comentar o relato da retirada da imagem de Nossa Senhora das águas do rio pelos pescadores, Vossa Santidade, tocado pelo fato de que a cabeça se encontrava separada do restante do corpo, disse-nos: “Primeiro o corpo, depois a cabeça, em seguida a unificação de corpo e cabeça: a unidade. Aquilo que estava quebrado retoma a unidade. O Brasil colonial estava dividido pelo muro vergonhoso da escravatura. Nossa Senhora Aparecida se apresenta com a face negra, primeiro dividida  mas depois unida, nas mãos dos pescadores (...) Em Aparecida, logo desde o início, Deus dá uma mensagem de recomposição do que está fraturado, de compactação do que está dividido. Muros, abismos, distâncias ainda hoje existentes estão destinados a desaparecer. A Igreja não pode descurar esta lição: ser instrumento de reconciliação”.
Encerro minhas palavras não sem antes expressar, porém, o meu sincero e caloroso agradecimento a Vossa Santidade, Papa Francisco, e a cada pessoa que aqui se encontra: a quem veio de perto e a quem veio de longe, especialmente a quem  cruzou a longa distância do Atlântico, vindo do Brasil, para ser testemunha deste momento tão carregado de significado. A todos, peço levarem deste encontro esta mensagem que Deus nos deu em Aparecida, segundo as palavras de nosso querido Papa: agir para recompor o que está fraturado e para unir o que está dividido. O nosso sofrido mundo atual espera isso de nós. Que a Senhora Aparecida nos fortaleça nessa urgente missão.

Muito obrigado!

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida, SP